Calcinha de florzinha

Quinta-feira, Setembro 16, 2004


"Macbeth e as bruxas", Jean-Baptiste-Camille Corot

Voltei finalmente, como voltou meu ânimo. Ultimamente estava tendo apenas notícias que de inspiradoras não tinham nada. Mas a mais broxante foi a notícia da venda de uma das unidades da empresa que eu trabalho. Aquilo estava me deixando muito pra baixo. Todo mundo com umas rugas a mais na testa, boatos e comentários pessimistas.


Mas hoje tive um motivo pra aparecer aqui. Na verdade dois: 1°: No sábado de manhã to me mandando ver a minha mãe e meu pai. To com saudades deles e estava temendo não poder ir. Finalmente tudo se resolveu. E 2°: Ontem eu e o Everton fomos ver uma peça de Teatro. E não era pouca bosta não!! Era uma peça de Shakespeare, entitulada Macbeth. No mínimo ótima. Os atores muito bons, e o conteúdo da peça melhor ainda. Ainda mais eu, que nem lembrava a última vez que fui ao teatro. Eu não conhecia a tal peça, mas a história fala sobre como o poder corrói o caráter e a alma das pessoas. Em épocas assim (entenda-se eleições), muito bom para se pensar sobre isso. Sobre a possibilidade de existir algum candidato que queira chegar ao poder por bem da sociedade ou única e exclusivamente para sua ambição....
Talvez seja justamente por isso que exista a expressão "de boas intenções o inferno está cheio", pois antes de se elegerem, todo mundo é do bem, todo mundo é do povo. E qual não é a nossa surpresa quando percebemos que o candidato que era um cordeiro - e com certeza a "intenção" dele era de realmente sempre ser do bem - , agora vira um lobo. O que mais tem a capacidade de nos ludibriar é a persuasão. É acreditarmos que aquela pessoa realmente tem caráter e que vai fazer alguma coisa a favor do bem comum. E como eles conseguem isso? Como conseguem fazer com que tantas pessoas depositem sua confiança nelas? Não tão simples asssim, mas possível: Elas mesmas, essas pessoas concorrentes ao poder, convencem a si mesmas que são íntegras, e por consequência, convencem os outros. Infelizmente isso só continua até conseguirem o poder. É a bruxa que fala aos ouvidos de Macbeth. É o sussurro que chega aos ouvidos dos que chegam ao poder, ordenando que queiram sempre mais, não importa como, pois os fins justificam os meios. Ah, o poder! Esse é o veneno letal, que, algumas exceções, que não sei se ainda existem, conseguem resistir ao seu efeito. Um veneno letal que corrói o espírito, a alma, e o caráter.