Calcinha de florzinha

Terça-feira, Abril 26, 2005


Foi tudo muito rápido (Mas pareceu uma eternidade)...
Estava procurando estacionamento na frente da faculdade para descer. Estava também um pouco preocupada com a prova que ia fazer em seguida, que, pra variar, não tinha estudado muito... só dei uma olhada na matéria. "Que sorte" pensei.. Encontrei um estacionamento praticamente na frente da faculdade, vai ser um problema estacionar com esse movimento, mas vamos lá.
Os vidros estavam respingados com a chuva de antes e eu não conseguia enxergar. Tive que abrir as duas janelas para conseguir ver. Estacionei, fechei os vidros. Abri a porta para sair e num relance vi dois caras vindo na minha direção e falando pra eu entrar no carro de volta... Me empurraram para dentro do carro, disseram para passar para o banco do carona. Nesse momento eu percebi que se tratava de um assalto a mão armada, pois um deles fez questão de me falar que eu tinha que fazer o que eles quisessem porque senão ia ficar ruim pra mim....
Passavam milhões de coisas horríveis na minha cabeça... Comecei a ficar perplexa, em estado de choque.. não conseguia fazer nada.. fiquei paralisada.. tentava gritar mas não conseguia.. Via as pessoas.. meus colegas da faculdade passando.. mas ninguém via nada!! À dois metros de distância de qualquer pessoa que passava e ninguém via nada! Pensei que eu podia ser esfaqueada, podia ser levada pra qualquer lugar.. me matarem ou fazerem o que quisessem, que ninguém ia perceber...
E esse tempo se passou como se fosse uma eternidade... não conseguia reagir.. só ficava ali... estática.. tentado gritar....
Enquanto isso, um deles pensou que talvez estivesse demorando demais e saiu, enquanto o outro, ainda insistia em me sufocar no assento... Depois de um tempo ele também resolveu sair. Levou a chave do carro... E eu.. fiquei lá.. em estado de choque, sozinha. Enquanto isso, começaram a se reunir os curiosos, pessoal que tava indo pra faculdade e parou pra ver o que estava acontecendo. Depois de meia hora chegaram os policiais... Registrei ocorrência, tudo meio automático.. Perguntaram se eu tinha namorado.. que era pra eu ligar pra minha mãe pra avisar. Não tenho mais namorado e minha mãe está a quilômetros de distância... Resolvi ligar para o Paulo, que estava mais perto.. Liguei para o antigo dono do meu carro, que ainda tinha uma cópia da chave do carro.. O Paulo me levou pra casa. Fiquei com um hematoma na perna e um trauma enorme.. Aquela imagem ainda não me saiu da cabeça.. Fui dormir..
Assim terminou o pior dia da minha vida. Um dia em que eu me senti a pessoa mais solitária do mundo, um dia que eu percebi que mesmo gritando, com toda força dos meus pulmões, ainda assim, ninguém consegue me ouvir....