Calcinha de florzinha

Terça-feira, Setembro 06, 2005

Gosto do filé...
Estava eu em minhas divagações, que se tornaram diárias, no meu tempo livre, vendo umas imagens, obras de arte de pintores famosos, as quais eu sempre sonho em conhecer, não só pela tela do computador, mas na sua real textura. São poucas as coisas que ainda almejo.
Uma delas é essa.


Minha vida ultimamente anda meio medíocre por assim dizer... Estou com o semestre ocioso, sem faculdade para estudar. Mas até isso tem seu ponto bom. Assim retomei um velho hábito que eu tinha e que pelas circunstâncias acabei deixando de lado: A leitura. Semana passada estava lendo um livro que me atiçou algumas antigas paixões, como a arte. O livro que eu estava lendo era o tão falado ¿O Código da Vinci¿. Confesso que fiquei muito interessada nos primeiros capítulos, até maravilhada com o romance, pois normalmente estes estilos de livro não me atraem muito. O que me chamou a atenção foi a riqueza de detalhes em que o autor descreve os ambientes, entre eles, o Museu do Louvre, que é um dos lugares que gostaria de conhecer. Nos capítulos finais, o livro é um pouco decepcionante, meio maçante eu diria. Mas mesmo assim consegui ler em quatro noites.


Na verdade, nem sei por que também estou escrevendo isso. O fato é que estou muito decepcionada, broxei com a vida mesmo. E uma das coisas que me prenderam a atenção foi este livro. Apesar de não ser um best seller, os primeiros capítulos foram realmente instigantes, e também me fez pensar em como até uma ingênua pintura da Virgem, pode ser carregada de inúmeros significados e mensagens subliminares. E baseado nisso, também cheguei à conclusão de que as respostas para nossas perguntas e a verdade, sempre estão batendo na nossa cara, está ali, há um palmo do nariz, mas nossos olhos não nos permitem ver a verdade nua e crua, sem maquiagem, sem silicone, sem máscaras, sem falsa moral. Nós somos cegos, como uma pessoa que come um filé no restaurante, e priva-se de naquele momento, saber de onde veio este filé, e também para onde ele vai. Não é que não sabemos de onde vem e para onde ele vai, mas privamos nossa imaginação nesse instante, para sentirmos apenas o prazer. Como privamos nossos olhos de ver as mensagens nos quadros de pintura, de vermos os protestos nas letras de música, e até de vermos o frio cinismo dessas pessoas que se dizem defensoras da ética. Definitivamente, cansei. Cansei de forçar meus olhos a ver somente a parte bela da pintura, o gosto suave da carne, as boas atitudes das pessoas. Vivemos todos em um mundo fétido, podre, selvagem, que cada um cuida de si, e o resto que se dane.
Cansei de ter ideologias, cansei de espera que as pessoas sejam justas, cansei protestar, cansei de brigar por um mundo melhor.... Agora pensando nisso tudo em que eu falei, e que realmente pensava e fazia, me sinto ridícula, essa minha ridícula inocência e ingenuidade. Mas como ainda eu queria tê-la...


Chega de divagações por hoje....