Calcinha de florzinha

Segunda-feira, Novembro 06, 2006


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Divagações...


Estou já há algum tempo sem muito o que fazer aqui na empresa. Digamos que estou meio que sendo "boicotada" de trabalho, pois preciso de terceiros para fazer meu trabalho, e esses "terceiros" não estão contribuindo muito. E se tem uma coisa que eu odeio é me sentir improdutiva, vir apenas ao trabalho pra marcar mais um dia no FGTS, mas não render, não ver resultados no final do dia.
Mas como aprendi há muito tempo atrás, quando vi o símbolo do I Ching, e, procurando sobre o significado do mesmo, descobri que ele queria dizer que existe um lado bom e um lado ruim pra tudo. Pois bem. A partir deste dia, eu vi que essa era uma daquelas realidades irrefutáveis, que ninguém pode discordar. E também baseado nisso, até a gente não produzindo nada em meses vindo a uma empresa, sentando em uma cadeira sem muitas perspectivas otimistas, vi que até isso tem seu lado bom. Tem o lado de nos deixar a cabeça menos ocupada, e podermos começar a pensar em coisas que realmente são produtivas a alma: Nossa Felicidade.
Às vezes ficamos tanto tempo apenas pensando em trabalho, que nao temos tempo de olhar para nós mesmos e fazermos a velha pergunta: Eu sou feliz?! Ou talvez uma pergunta mais direta ao ponto: Eu estou feliz com aquilo que estou fazendo?! E a resposta foi: "Insatisfeita".
Claro, depois de tanto tempo me sentindo uma inútil, burra e sem futuro, só podia ser essa resposta.
Depois de tantas divagações, reclamações e lamentos, resolvi tomar uma atitude. Procurar um novo emprego.
E foi o que fiz, pq o que eu nao suporto é apatia, seja ela qual for.
Recebi uma proposta, a qual ainda estou pensando. Meu gerente me chamou pra conversar e eu coloquei todos os podres pra fora.. inclusive na minha intenção de mudar de emprego.

Bem.. mas isso também não vem ao caso. O fato é que nesse tempo fiquei pensando em todas as coisas que eu vivi, aquele saudosismo de sempre.. como eu era feliz quando morava com minha mãe. Quando não sabia o real significado da palavra "chefe", e o quanto ela pode ser insuportavelmente deprimente...


****


Neste feriado prolongado, fui lá pra minha mãe.. Peguei meu carango e me bandeei sozinha mesmo. Não gosto de ir sozinha, mas como não tinha companhia foi o que restou. Mas no final das contas acabei gostando. Acabei gostando de ficar um pouco comigo mesma. De não se preocupar com nada a não ser se o 1.0 aguenta ultrapassar um caminhão morro a cima. :)
Cheguei lá na minha mãe, fui andar um pouco, fui ver meus gatos, e os filhotes da minha gata. Nossa.. como me dá paz olhar pra filhotinhos de animais, principalmente gatos!
Desci também até o rio onde quando era criança aprendi a nadar, mergulhar.. Lembro que tinha dois galhos de árvore que ficavam encostando no espelho d'água, com uma distância de uns 3 metros de um pro outro, aos quais eu fazia de minhas raias, para não descer correnteza abaixo quando estivesse mergulhando. E, por incrível que pareça, cheguei lá, na beirada do rio, e os galhos continuavam lá. Intactos. Idênticos. Nem mais grossos, nem mais finos, nem mais compridos. Iguais.
Sentei na margem do rio, nas pedras. e fiquei olhando aqueles galhos... Lembrando quantas vezes fui pra lá fugida, para me refrescar na água, por que minha mãe não queria que eu fosse sozinha por medo de eu me afogar. Ou às vezes que fui pra lá só pra fugir de todo mundo, ficar sentada nas pedras e poder chorar sem ser repreendida,por estar muito infeliz com alguma coisa, ou ter que dar satisfações para alguém... Comecei a perceber como a gente molda as coisas a nossa volta conforme o que sentimos. Conforme nosso estado de espírito.
Na real, as coisas continuam sempre iguais, nós é que mudamos. Nós é que vemos as coisas iguais. Olhando para aqueles dois galhos, lembrei muito nitidamente de tudo que eu vivi, inclusive coisas ruins. Percebi que agora, eu achava que era muito feliz no passado. Só que existe uma seleção inconsciente no nosso cérebro que tende a armazenar só boas recordações, e, como falei antes, isso também tem seu lado ruim, pois assim não percebemos que nem tudo o que vivemos antigamente é bom, e nem tudo o que estamos vivendo é ruim. Na verdade, a situação atual está fazendo com que eu me sinta muito mais infeliz. Mas na verdade, analisando friamente, eu percebo que a felicidade sempre vem em doses homeopáticas. Cabe a nós sabermos aproveitá-la da melhor forma.
Não é que eu era feliz e não sabia... Eu fui muito feliz sim, mas tive muitos momentos infelizes, com os quais aprendi muitas coisas, inclusive a criar mecanismos de defesa.
Acho que a situação atual é um dos momentos infelizes pelos quais todos passamos, e que no futuro, talvez direi que era feliz e não sabia. Mas se viver assim, vou estar vivendo de futuro, ou de passado. Não sei. O problema é que não estarei vivendo o presente.


Olhando aqueles dois galhos. Percebi que hoje a felicidade continua vindo para mim em doses homeopáticas, quase escassa. Mas ela continua ali. Cabe a mim saber aproveitar.

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